Máquinas de guerras expelindo densas nuvens de fumaça negra. Um braço robótico rústico anexado a um cavalheiro trajando o mais fino fraque vitoriano. Um volumoso dirigível vigia uma cidade em plena revolução industrial sob o céu cinzento. Eu não preciso explicar o que é o Steampunk, você com certeza já tem todas essas imagens vívidas em sua mente graças ao cinema, ao videogame ou à literatura. O que me fascina é como um subgênero tem se tornado um fenômeno de toda a cultura pop.

O pontapé inicial foi dado por Júlio Verne, autor de 20.000 Léguas Submarinas, Volta ao Mundo em 80 Dias e Viagem ao Centro da Terra, livros que reinventam o passado com uma tecnologia absurda e charmosa, onde a energia a vapor sustenta maquinários sofisticados e extravagantes – um retrofuturismo. Apesar do termo Steampunk ter surgido apenas décadas depois da sua fundação, o gênero se mantém forte até os dias atuais, com obras como a Trilogia Leviatã – que recria a 1ª Guerra Mundial com nações “mekanistas” batalhando com aparatos mecânicos contra nações “darwinistas” e seus animais monstruosos geneticamente fabricados – sendo lançados todos os anos.

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No Brasil, temos o notório romance A lição de anatomia do temível Dr. Louison situado em Porto Alegre do início do século XX e povoado por aclamados personagens da literatura brasileira, como Rita Baiana e Pombinha, de Aluísio Azevedo e Simão Bacamarte, de Machado de Assis, todos enredados pela investigação dos abomináveis crimes e da subsequente fuga do hospício de um vilão que poderia rivalizar Jack, o Estripador.

Publicado mais recentemente, temos Le Chevalier e a Exposição Universal, que apresenta um espião sem nome a serviço da coroa francesa, a nação mais desenvolvida e requintada do mundo. Naturalmente, tal posição não é ocupada sem ameaças, o que fica evidente quando a Prússia derrota a Áustria e prepara suas peças no tabuleiro europeu para atacar o Império Francês de Napoleão III.

Como livros consagrados costumam ganhar adaptações cinematográficas – como O Poderoso Chefão e Onde os Fracos Não Têm Vez -, as três obras citadas de Júlio Verne receberam suas devidas representações em Hollywood. Consequentemente, o Steampunk se tornou uma opção estética e narrativa frequente no cinema, com belos exemplares como As Loucas Aventuras de James West – mais lembrado pelo bumbum da Salma Hayek – e Van Helsing: o Caçador de Monstros – ninguém esperava um dia ver Hugh Jackman cabeludo usando uma besta semiautomática contra o Drácula. Talvez a pérola cinematográfica mais inesperada não tenha vindo de Hollywood, mas do Japão, através do anime de longa-metragem Steamboy, que recebeu as vozes de Patrick Stewart, Anna Paquin e Alfred Molina na dublagem estadunidense.

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O primeiro game Steampunk foi The Chaos Engine, uma adaptação do romance The Difference Engine, um “run and gun” onde viajantes do tempo visitam a Inglaterra vitoriana e sua tecnologia avançada acaba nas mãos de um inventor, gerando uma linha temporal alternativa. Caso você nunca tenha ouvido falar desse jogo, não se sinta culpado, ele é um tanto obscuro mesmo. Por outro lado, Dishonored, Bioshock Infinite e Thief devem ser mais familiares, comprovando a influência do gênero na cultura pop. Particularmente, meus jogos Steampunk favoritos sempre serão Final Fantasy VI e IX, onde tecnologia retrofuturista se mistura com magia e navios voadores levam os heróis até masmorras habitadas por goblins, fantasmas e dragões.

O Steampunk já faz parte do nosso imaginário. Temos livros, filmes e jogos sendo lançados anualmente e, aos poucos, o gênero está se tornando tão prolífico quanto a Ópera Espacial ou a Espada e Feitiçaria. O tempo vai passar, novos iPhones serão lançados, mas continuaremos reimaginando o passado com o charme vitoriano unido à tecnologia a vapor impossível.

E se você quiser sujar suas mãos de graxa e sentir o odor de carvão, óleo e perfumes, dê uma conferida n’A lição de anatomia do temível Dr. Louison, em Le Chevalier e a Exposição Universal e na pré-venda do primeiro quadrinho de Le Chevalier, Arquivos Secretos vol. 1. Garanto que não se arrependerá da jornada.

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