Brasil deve liderar setor de games na América Latina em 2017, calcula PWC

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Da ficção dos magás japoneses às histórias em quadrinhos de super-heróis para a economia real. Os games, ou jogos eletrônicos, movimentaram US$ 1,6 bilhão (R$ 4,9 bilhões), em 2016, no Brasil, e o país já deve ultrapassar o México, este ano, e alcançar a liderança do mercado na América Latina. O segmento de games deverá crescer 13,4% ao ano até 2020, considerando-se a venda de jogos (softwares), a publicidade e as chamadas microtransações, que são os gastos dos consumidores dentro dos jogos.

Segundo dados da consultoria PWC, no mercado de entretenimento e mídia, o de game é o segundo que mais cresce, atrás apenas da publicidade na internet. Entre os fatores que estimularam a expansão estão o barateamento dos equipamentos e a inauguração de fábricas no país, impulsionadas pelo incentivo tributário e o tamanho do mercado.

— Importar estava ficando muito caro, e as fábricas avaliaram que era mais barato produzir no Brasil. Os custos para o consumidor ficaram mais baratos. O Playstation entrou no Brasil custando R$ 4 mil. Hoje, você acha por R$ 1.300 — observa Alexandre Eisenstein, sócio da consultoria PWC.

Para especialistas, o boom do mercado de games também alavancou outros setores, como publicações de livros e revistas especializadas, eventos e competiçoes esportivas, venda de produtos como camisas e objetos de decoração, criação de canais de Youtube. São os chamados mercados satélites dos jogos online, alimentados por grandes empresas — que investem cada dia mais no setor — eaté microempresas.

— Essa gente pequena movimenta o maior fluxo de dinheiro na área — diz Victor Azevedo, professor de Marketing Digital do Ibmec e do curso de Jogos Digitais da Universidade Veiga de Almeida.

Empreendedorismo se fortalece no país

Jovens empreendedores se multiplicam: os jogos podem ser criados em casa, por equipes pequenas ou até por uma pessoa
Jovens empreendedores se multiplicam: os jogos podem ser criados em casa, por equipes pequenas ou até por uma pessoa Foto: Divulgação

Seja no desenvolvimento de jogos ou nos mercados paralelos, muitos brasileiros têm empreendido. A Overlord Game Studio, desenvolvedora de games carioca, lançará o seu primeiro produto, Tiny Little Bastards — fruto de um financiamento coletivo de R$ 30 mil, no site Catarse —, no segundo semestre deste ano. Apesar disso, já tem importantes contratos fechados.

— Com a Valve, dona da Steam, a maior plataforma de distribuição de jogos do mundo; Sony e Microsoft Xbox. Ou seja, vamos lançar nosso jogo no Playstation 4, Xbox1 e para computador — conta João Requião, de 29 anos, sócio da pequena empresa, ao lado de Ian Magalhães, de 28.

Junto a eles, são apenas mais quatro funcionários.

— O mercado de games nasce num momento propício, em que as pessoas entenderam que não precisam de fábricas para trabalhar. Os jogos também podem ser feitos em casa. Podem ser feitos por uma pessoa ou uma equipe de três — explica o professor Victor Azevedo.

Para o especialista, é o envolvimento gerado pelos jogos que faz tantas pessoas empreenderem:

— Por isso que ele acaba sendo maior do que o seu irmão, o cinema. Continua sendo um conteúdo desse gênero, com roteiro, personagens, mas você se coloca e se envolve. Esse envolvimento faz as pessoas aprenderem, com auxílio da internet, até a criar — avalia ele, lembrando das produções paralelas, como os canais de Youtube: — O brasileiro tem por escopo ser gerador de conteúdo e para isso aumentar é só ser menos hostil internamente ao mercado de jogos. Ainda há preconceitos. Na hora em que o aluno fala que vai fazer uma graduação de Jogos, os pais não gostam. Com o tempo, a gente está mudando isso. A minha geração já tá vindo com a ideia de que jogo é coisa séria, é conteúdo como cinema.

Aos 31 anos, Victor também empreende num mercado satélite. Ele é um dos sócios do Grupo Epic, que atende empresas e agências com o objetivo de impactar e absorver a geração Y, pela “gameficação”. A prática envolve a aplicação de mecânicas de jogos em diversas áreas para melhorar resultados de empresas.

Empresas de RH procuram pessoas que tenham no currículo cursos de games

O sucesso da “gameficação” impactou, inclusive, o mercado de trabalho, criando novas profissões (confira abaixo).

Yuri Insanityz é atleta e treina, no mínimo, seis horas diárias
Yuri Insanityz é atleta e treina, no mínimo, seis horas diárias Foto: Arquivo pessoal

— A demanda por profissionais especializados em games vem crescendo e algumas profissões, despontando no mundo corporativo — explica Felipe Azevedo, diretor da LG Lugar de Gente, empresa especializada em soluções de tecnologia para RH.

Os profissionais saem de cursos como Game Design (veja opções abaixo) ou até de formações mais tradicionais, como Marketing, Design Gráfico, Web Designer, Tecnologia da Informação, Ciências da Computação, desde que o currículo também traga cursos na área de games. Alguns postos podem ter mais requisitos, como conhecimento em algum programa e idiomas.

Além destas chances, funções tradicionais em diferentes áreas têm ganhado espaço também no mercado de games, como os designers de som, ilustradores, modeladores 3D, desenvolvedores, roteiristas, entre outros.

E tem gente até ganhando dinheiro, jogando profissionalmente nas seleções de desportos eletrônicos

— Meu jogo é o Overwatch, da Blizzard, e integro um time de seis pessoas. Nós ainda não temos salário, mas vários times brasileiros já contam com remuneração e alguns jogadores profissionais já têm carteira assinada. Hoje, conto com premiações. Alguns torneios e festivais pagam prêmios de R$ 20 mil para o primeiro colocado. Lá fora, há campeonatos pagando US$ 300 mil — conta Yuri Insanityz, gestor de tecnologia da informação, de 28 anos.

Cursos para fazer

Estácio

No dia 9 de março, começarão as aulas do Curso Superior Tecnológico em Jogos Digitais. As inscrições são feitas nas unidades Praça Onze (Av. Presidente Vargas 2.560), Nova América (Av. Pastor Martin Luter King Jr 126, Del Castilho) ou pelo Portal da Estácio (www.estacio.br). Há ainda uma especialização em Desenvolvimento de Jogos Digitais, com previsão de início para 29 de abril. Contatos: 0800-021-3737 ou pelo endereço pos.estacio.br.

ESPM

A Escola tem na graduação em Design, linha de formação em Animação. Além disso, há um núcleo de pesquisa formado por alunos e orientado por professores, o Design de Inovação e Game (Ding). Informações de contato: http://www.espm.br, 2216-2002, cursos@espm.br.

Senac-RJ

O Senac tem um curso de Designer de Games, com duração de 212 horas presenciais. A próxima turma começará no dia 13 de março, na unidade de Botafogo. Contato: (21) 2536-3922.

Unicarioca

A universidade tem uma especialização em Jogos e Animação Digital, com turma prevista para maio. Saiba mais: http://www.unicarioca.edu.br.

Univeritas

O Centro Universitário iniciará um curso de Tecnólogo em Design de Games, com duração de dois anos, no dia 6 de março. Mais informações em http://www.univeritas.com.

Veiga de Almeida

A universidade oferece um curso de Jogos Digitais, com dois anos de duração, envolvendo conhecimentos em áreas como Design, Animação, Desenvolvimento do Enredo do Jogo. Há turmas nas unidades da Barra e do Centro. O vestibular é marcado pelo endereço http://www.uva.br.

Entrevista Bianca Marques, a Bibi tatto, de 16 anos, estudante e Youtuber

Youtuber Bibi Tatto, de 16 anos, tem mais de três milhões de seguidores
Youtuber Bibi Tatto, de 16 anos, tem mais de três milhões de seguidores Foto: Divulgação

Como surgiu a ideia de lançar um canal no Youtube para falar sobre games?

Eu jogava Minecraft desde 2012 e comecei a pensar que, se eu estava assistindo a vídeos de pessoas jogando online e gostava, por que não fazer? Os outros jogadores também vão gostar. Hoje, dois anos depois de começar, tenho mais de 3 milhões de seguidores. O Minecraft é um jogo repleto de aventura, onde pode o jogador pode sobreviver. É um jogo com muitas formas de produzir no vídeo. Vou lançar meu segundo livro, —Isolados – O enigma, no próximo dia 11, às 14 horas, Livraria Saraiva do Boulevard Rio Shopping, no Rio de Janeiro.

Como é a rotina de gravação dos vídeos?

Eu sempre posto dois vídeos por dia no canal e uso todo tempo livre para gravar. Estou no 3º ano do ensino médio e, de manhã, estudo no colégio. À tarde, me dedico ao estudo em casa. À noite, fico disponível para gravar os vídeos ou ir a eventos com seguidores. Nos fins de semana, também participo de eventos. Em geral, são vídeos de 10 a 12 minutos, em média, mas já testei uma gravação maior, com mais de uma hora e me surpreendi, porque mais de um milhão de pessoas assistiram ao vídeo completo.

Quais são os principais desafios para quem está começando?

No começo do canal, era mais complicado. Eu gravava com laptop, que ficava bem lento. O mais importante é escolher equipamento certo.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/economia/brasil-deve-liderar-setor-de-games-na-america-latina-em-2017-calcula-pwc-21010812.html#ixzz4aXakEfDD

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