O que torna a arte de Rodney Buchemi tão épica?

A regra é clara: costas arqueadas para os machões, tórax estufado para os heróis – e que isso se aplique às damas também. Os olhos de qualquer artista são característicos; é através deles que temos uma noção, não apenas da história a ser contada, mas do sentimento transmitido. Seja a inspiração de ver a Liga da Justiça cortando ar e água em direção ao leitor e ao perigo, seja a ansiedade de ver os X-Men encurralados, Ciclope com a mão nos óculos e o eterno rosnado do Wolverine, aquele que nos impacta a visão e casa perfeitamente o diálogo com a epicidade do tema é ele: o artista.

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Rodney Buchemi faz isso com habilidade, para dizer o mínimo. O gene X desse mutante pode não ter dado o fator de cura do Logan ou a telecinese da Jean Grey, mas, com certeza, algo de Professor Xavier paira na cabeça desse artista, que consegue exprimir na íntegra o que realmente o leitor quer ver. Um outro tipo de texto, um ato eternizado em uma imagem, e nessa literatura Rodney pode ser um Lovecraft ou um Robert E. Howard – algo com que muitos escritores apenas sonham. Convenhamos: uma coisa é dizer que a roupa da Elektra é vermelha como sangue. Outra é você ver o vermelho contra sua pele clara. Todos sabemos qual é mais impactante.

Os personagens desenhados por Rodney são os melhores modelos para um fotógrafo – mesmo quando estão relaxados, pegos distraídos pela vontade do artista de exprimir um momento aleatório, ainda saem como é de se esperar: Heroicos. Poderosos. Sofridos. Em qualquer tema ou emoção que o artista escolha retratar, a regra é clara: Épicos. Quase um noir dos quadrinhos, Buchemi talvez peque um pouco, aqui e ali com excesso de poder em suas cenas, se é que isso pode ser um problema.

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Aí alguns fãs podem reclamar, sentindo falta daquele toque de humanidade a permear o herói, querendo os movimentos talvez mais desengonçados, o semblante menos perfeito, fugir um pouco ao passado e, quem sabe, reimaginar o futuro dos quadrinhos. Ninguém é perfeito, e não é pecado não tentar sê-lo. Um questionamento que deixo no ar é, se o traço de Rodney vai acompanhar a nova onda feminista que procura filtrar os quadrinhos – já conseguiram colocar mais roupa na Iron Heart, será que vão desviar a caneta de Buchemi de curso?

A regra, porém, é clara: épico.

PS: Você pode conhecer mais do trabalho de Rodney Buchemi através do seu mais novo quadrinho, A Ordem de Licaão ED01, ou até mesmo encomendar uma arte personalizada, seja do seu herói favorito ou de um personagem da sua imaginação.

Também vale a pena conferir a camiseta do Homem-Aranha pelo traço do Buchemi e também seus Sketchbooks de 2013, 2014, 2015 e 2016, se você for mesmo fã da arte dos quadrinhos. Fica a dica. 😉

As Inspirações de O Espadachim de Carvão

A série de livros O Espadachim de Carvão narra muito mais do que a saga de Adapak, o semideus de pele negra e olhos brancos. Como disse Thiago Romariz, do site Omelete, Kurgala, o mundo que serve de palco pras aventuras de Adapak, é “um dos melhores universos mitológicos criados por um autor brasileiro” e o próprio cenário pode ser considerado um personagem tão vivo e poderoso quanto todos os outros dentro da trama. E hoje vamos falar de algumas das inspirações que pude identificar pelas páginas dos livros de Affonso Solano.

O autor já declarou algumas vezes que prefere a crueza e brutalidade do Conan do que o idealismo e a sofisticação de O Senhor dos Anéis. Como consequência, tanto o Espadachim de Carvão quanto o Cimério são aventureiros habilidosos, que exploram tanto técnicas de luta quanto estratégias e táticas perspicazes contra os desafios de mundos impiedosos. Não encontraremos muita elegância ou delicadeza em nenhum país da Era Hiboriana ou em Kurgala, cenários mais propícios a estradas infestadas de saqueadores e cidadelas entregues à própria sorte – e ao poder bélico rústico.

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Falando em mundos impiedosos, acredito que Solano também tenha lido bastante do cenário de campanha de D&D Dark Sun, onde os povos são castigados pela aridez do solo e pela escassez de recursos, condicionados à uma sociedade tão selvagem em sua estrutura quanto em seus métodos de caça e sobrevivência. A pedra lascada e ossos são matérias-primas exploradas com criatividade desesperada, enquanto metais e água são tão valiosos quanto joias. Os únicos equipamentos que Adapak sempre carrega são suas espadas gêmeas Igi e Sumi, feitas de osso de anbärr, não que ele tenha muitas opções, pois os muitos personagens d’O Espadachim de Carvão sempre carregam alguma ferramenta rústica e quase nunca usam qualquer metal como proteção ou arma.

Por fim, farei uma comparação um tanto ousada. Kurgala é o lar de incontáveis espécies humanoides – e algumas não tão humanoides – criadas por deuses que abandonaram o mundo há muito tempo, um contexto um tanto similar à Cidadela do jogo de ficção científica Mass Effect. A Cidadela é uma base espacial de origem misteriosa, que serve como um lar pra todas as raças alienígenas que cooperam entre si. Há muitas teorias de que os deuses de Kurgala sejam, na verdade, alienígenas ancestrais que usaram o mundo como um laboratório e que suas raças exóticas sejam seus experimentos, tal qual existe a teoria de que a raça ancestral que construiu a Cidadela em Mass Effect seja o elo perdido que originou todos os povos do presente. Se O Espadachim de Carvão é uma obra de fantasia heroica ou ficção científica, é um debate muito longo e pra outro dia, mas me parece certo que Affonso Solano experimentou os mais diversos ingredientes em sua mistura.

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E essa é a graça de criar um Universo ficcional. A inspiração, a ousadia e o experimento, que levam a lugares inéditos e batalhas dramáticas. Ainda faltam muitos reinos a serem descobertos em Kurgala e muitos mistérios a serem desenterrados nos cantos mais inóspitos, onde os deuses cometeram o erro de crer que nenhum aventureiro teria a audácia de explorar.

PS: Artigo escrito ao som da trilha sonora do jogo Dark Sun: Wake of the Ravager.

Star Wars VS Star Trek – Qual é Melhor?

Ligue seu sabre de luz e prepare seu soco vulcano, chegou a hora de decidir qual saga é a melhor: Star Wars VS Star Trek!

Há muito mais títulos de Star Trek do que Star Wars… E mais títulos melhores

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Star Wars está indo pro oitavo filme cânone. Tem também alguns desenhos animados, uns filmes com Ewoks e pronto. Star Trek tem mais de dez filmes, cinco séries de televisão com um total combinado de quase 30 temporadas e uma série animada. Cada episódio de Star Trek merece cinco estrelas? Claro que não. Podemos concordar que existem alguns filmes ruins? Definitivamente. Mas quando você compara as franquias, Star Trek facilmente tem mais coisas boas do que ruins. E, pelo menos, Star Trek teve o bom senso de escalonar seus filmes bons e ruins. A “Trilogia Prequel” de Star Wars foi apenas um desfile interminável de lixos.

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Star Trek é datado, Star Wars é atemporal

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Star Trek é uma das previsões mais precisas do futuro. Comunicadores se tornaram realidade como smartphones, um russo previu o fim pacífico da Guerra Fria e vimos o primeiro beijo inter-racial da tevê. Enquanto isso, nós nunca veremos um sabre de luz real ou uma Estrela da Morte real porque Star Wars nunca tentou prever nada. Tudo que os comentários sociais e previsões tecnológicas garantem é o envelhecimento rápido. Ninguém nunca vai ver um sabre de luz e pensar “eu tenho três desses em casa”. George Lucas é obcecado por mitologia e a primeira trilogia tem todos os elementos de um mito clássico. Quem se importa que a “espada laser” seja a arma que um moleque de 8 anos inventa numa batalha imaginária no recreio?

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A audiência prefere explosões do que negociações pacíficas

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Com base nos sete filmes de Star Wars, há dois finais possíveis: algo realmente grande vai explodir e/ou haverá um duelo dramático. Mas Star Trek é sobre o triunfo da razão e da compaixão e outras virtudes. Num episódio, o Capitão Picard tem a chance de eliminar toda a raça Borg com um vírus – e ele não faz porque o genocídio é errado, mesmo contra os zumbis robôs que ameaçam exterminar a sua civilização. O vilão no primeiro filme de Star Trek é uma gigantesca nave espacial senciente – e ninguém explode aquilo! Eles ensinam o amor e a compaixão! Nenhuma nave excepcionalmente grande em Star Wars passa mais de 90 minutos sem explodir e eu tenho certeza de que Lucas especificou isso no contrato com a Disney.

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Em Star Trek, pessoas resolvem problemas através de inteligência… Não de magia

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Quando há um problema na Enterprise, você vai precisar de alguns especialistas inteligentes trabalhando duro pra resolver o problema. Geordi provavelmente vai descobrir como realinhar as condutas de fluxo de plasma pra ajudar sua nave a completar sua missão, porque ele é o melhor engenheiro. Enquanto isso, como é que Luke Skywalker explodiu a primeira Estrela da Morte? Rezando pra sua magia e desligando sua mira. Explosões são mais legais do que diplomacia, mas há um limite. Não faz sentido os Ewoks derrotarem a elite do Império com estilingues. Não faz sentido Anakin pilotar um caça pela primeira vez e ser melhor do que todos os pilotos experientes. No fim das contas, a Força é o pior deus ex machina da ficção.

Star Trek 2×2 Star Wars

Star Trek lida com questões reais, em vez de apenas escapismo

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Um dos principais objetivos do Star Trek desde o início é contar histórias importantes que nos afetam sob o disfarce da Ficção Científica. A série original confrontou relações raciais, corridas armamentistas, a função de uma sociedade que confia pesadamente em máquinas… A lista continua. Esse é o poder da Ficção Científica: ela fornece um lugar seguro pra explorar temas e ideias importantes. Guerra nas Estrelas, entretanto, tem algumas cenas visualmente muito bonitas. Novamente, explosões são mais legais do que a lógica, mas não dá pra competir com a bagagem cultural de Star Trek – enquanto Star Wars adora realçar preconceitos e estereótipos étnicos, como escravagistas com aspectos árabes. Ah, e não se esqueça do Jar Jar Binks!

Star Trek 3×2 Star Wars

Star Trek é sobre ciência, Star Wars é sobre ficção

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Roddenberry botou na segunda página do texto de apresentação de Star Trek o cálculo do número de estrelas e planetas no Universo pra apontar quantas muitas espécies alienígenas podem existir, estabelecendo que poderia haver tribbles e que androides fazem sexo, tudo baseado em ciência, mesmo que ciência ficcional. Star Wars nunca foi sobre tecnologia. Sabre de luz? Hiperespaço? Lucas adicionou ciência na sua fábula uma vez, e foi um desastre. Toda a tecnologia em Star Wars poderia ser magia e seria aceita. Star Trek é sobrecarregado com tecnologia e cada coisa nova precisa de uma explicação. Esses detalhes são maravilhosos pra aquele pequeno núcleo de fãs, mas muito mais difíceis de vender pra um grande público.

Star Trek 3×3 Star Wars

No final, você está livre pra desfrutar Star Trek, Star Wars, ou mesmo Stargate – não falta coisas boas lá fora pros nerds amarem. Tem mais algum argumento a acrescentar? Discorda de algum dos tópicos apresentados? Solta o verbo nos comentários!

E se gostou das camisetas Kirkstyle ou MidiChlorians, só clicar no sublinhado, aposto que ainda tem do seu tamanho. 😉